INQUÉRITO
A poesia é uma forma de resistência? Sempre, por definição? Ou apenas em
determinados contextos – sociais, políticos, culturais? Como pode
resistir a poesia e a quê?
Respondem os poetas.
EM PORTUGAL
Inquérito realizado por Ana Luísa Amaral, Joana Matos Frias, Pedro Eiras e Rosa Maria Martelo
aqui
terça-feira, 8 de maio de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
O Senhor Umberto
Dizem que é tão rigoroso, tão impecável no trato, tão implacável na crítica. Os que o conhecem bem asseveram que não existe estudo, texto em prosa ou em verso invulnerável à sua visão arguta. Na mais inexpugnável construção do intelecto, descobre fissuras, pontos fracos, claudicâncias.
A todos os que o procuram caracterizar ecoa, antes de todas as outras, a palavra etérea da pureza.
Habituou-se a desconfiar da mudança e das novas ideias. Suspeita ser tudo ditado pela loucura do comércio.
Entre as opiniões menos convencionais, encontrámos os que afirmam ser impossível sobreviver Umberto ao seu próprio código de conduta. Outros limitam-se a suspirar: «É difícil ser Umberto».
terça-feira, 10 de abril de 2012
Poemas de Liberdade segundo Michaux
(...)
O exorcismo, reacção de forças, ataque de aríete, é o verdadeiro poema do prisioneiro.
No próprio lugar do sofrimento e da ideia fixa, introduz-se uma tal exaltação, uma tal magnífica violência, unidas ao martelar das palavras, que o mal progressivamente dissolvido é substituído por uma bola aérea e demoníaca – um estado maravilhoso!
Muitos dos poemas contemporâneos, poemas de liberdade, exercem também um efeito de exorcismo, mas dum exorcismo por manha. Por manha da natureza subconsciente que se defende graças a uma elaboração imaginativa apropriada: os sonhos. Por manha preparada ou hesitante, procurando o seu melhor e ideal ponto de aplicação: os sonhos acordados.
Não só os sonhos mas também uma infinidade de pensamentos são "para escapar", e até sistemas de filosofias foram sobretudo exorcismos que julgavam ser algo bem diferente.
Efeito libertador semelhante, mas natureza perfeitamente diferente.
(...)
Esta subida vertical e explosiva é um dos grandes momentos da existência. Nunca seria demais aconselhar o seu exercício aos que vivem a contragosto numa dependência infeliz. Mas o arrancar do motor é difícil, só o quase-desespero o consegue.
(...)
O exorcismo, reacção de forças, ataque de aríete, é o verdadeiro poema do prisioneiro.
No próprio lugar do sofrimento e da ideia fixa, introduz-se uma tal exaltação, uma tal magnífica violência, unidas ao martelar das palavras, que o mal progressivamente dissolvido é substituído por uma bola aérea e demoníaca – um estado maravilhoso!
Muitos dos poemas contemporâneos, poemas de liberdade, exercem também um efeito de exorcismo, mas dum exorcismo por manha. Por manha da natureza subconsciente que se defende graças a uma elaboração imaginativa apropriada: os sonhos. Por manha preparada ou hesitante, procurando o seu melhor e ideal ponto de aplicação: os sonhos acordados.
Não só os sonhos mas também uma infinidade de pensamentos são "para escapar", e até sistemas de filosofias foram sobretudo exorcismos que julgavam ser algo bem diferente.
Efeito libertador semelhante, mas natureza perfeitamente diferente.
(...)
Esta subida vertical e explosiva é um dos grandes momentos da existência. Nunca seria demais aconselhar o seu exercício aos que vivem a contragosto numa dependência infeliz. Mas o arrancar do motor é difícil, só o quase-desespero o consegue.
(...)
- Henry Michaux
in O Retiro pelo Risco, Fenda
Surripiado daqui:
http://omelhoramigo.blogspot.pt/2012/03/blog-post_13.html
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Terra de Escombros
Terra, já não terra
Mas palco de vontades,
Espaço, indulto, céu,
Mísero cortejo de vaidades,
Fome e incompreensão,
Formas, formas sumidas,
Talvez chegado o dia em que serão
Sensações vendidas,
Dor, não é dor ainda
Mas pronúncio vago
Solto ao acaso
N’alma minha,
Fantasmas, monstros pairadores,
Sede sanguinária
Assalta a miragem da Paz,
Verdade, não é verdade
Mas semântica sem sentido
Num mundo individual
Onde nada é realidade,
Morte, já não é morte
Mas manifesto ou alma
Sem saber onde começa e acaba
Mas onde se esconde,
Palavras, não são palavras
Mas rumores, rumores vagos do além
Sussurram sobre culpa e verdade
Sobre todos? Sobre ninguém?
Correr, fugir para longe,
Correr esse país infinito
Onde a fome mata de verdade
De verdade...
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
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